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Custos

DIFERENÇAS ENTRE CUSTOS E DESPESAS
Custos do produto: Material direto utilizado na fabricação do produto, Mão de obra direta, Serviços diretos. Não devem incorporar o custo do produto os gastos fixos incorridos na fabricação, tais como salários do almoxarife, supervisor, ou gerente de produção; energia elétrica aplicada ao produto, aluguel planta fabril, gastos com refeição dos funcionários diretos

Despesas do período: Aluguel, água, luz, telefone, despesas de manutenção, gastos com transportes, e demais gastos do período. Entende-se por gastos do período, aqueles que ocorrem independentemente de se ter fabricado ou não qualquer quantidade de produto.

Despesas variáveis: Comissões sobre vendas, frete na entrega do produto, impostos proporcionais ao valor vendido (IPI, ICMS, ISS, PIS, Cofins). O Imposto de Renda e a Contribuição Social, variam em função do Lucro, e não do valor vendido.

Questão prática:

1) Uma dúvida muito comum nas empresas que utilizam software de gestão - ERP é saber como contabilizar uma Nota Fiscal de compra. Devo lançar em "despesa do período" ou "custo do produto" ?

Uma regra prática é a seguinte: Os itens constantes da Nota fiscal tem código? Se positivo então deve ser lançado como "Custo do produto", pois todo Insumo (material direto) é codificado para efeito de controle de estoques.

Veja a seguir matéria extraída do livro Contabilidade de Custos de Eliseu Martins.

 

Custos fixos, Lucro e Margem de contribuição
fonte: Contabilidade de custos - Eliseu Martins - Editora Atlas: Clique aqui

Vimos até agora os Procedimentos da Contabilidade de Custos para efeito de Avaliação de Estoques e de Resultado e analisamos os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos e sua relação com a Contabilidade de Custos, verificando como podem ser tratados os Custos de Produção para sua incorporação aos bens fabricados (também serviços, às vezes).

Entretanto, como já foi possível perceber, nem sempre esses critérios são os desejáveis e necessários para outras finalidades; vamos agora analisá-los, criticá-los e estudar as necessárias adaptações, para que possamos obter Custos aptos a auxiliar na tarefa da Decisão.

14.1 - O Problema da Alocação dos Custos Indiretos Fixos
Suponhamos que uma empresa fabrique três produtos (L, M e N), e seja constituída de um único Departamento (apenas para simplificação), e que tenha as seguintes características:

Custos Indiretos de Produção: $ 3.100.000 num certo mês, dos quais $ 2.455.000 são fixos, compreendendo Mão-de-Obra Indireta (maior parcela), Depreciações etc., e $ 645.000 são variáveis.

Esses Custos Indiretos Variáveis são a Energia Elétrica e os Materiais Indiretos, e totalizam $ 645.000, por estar a empresa produzindo as seguintes quantidades:

Quadro 14.1

Produto

Quantidade
Produzida

Custo Indireto
Variável por Unidade

Custo Indireto
Variável Total

L

2 000 u

$ 80/u

$ 160.000

M

2 600 u

100/u

260.000

N

2 500 u

90/u

225.000

 

$ 645.000

Custos Diretos de Produção: Matérias-primas e Mão-de-obra Direta, no total de $ 700/u para o Produto L, $ 1.000/u para o M e $ 750/u para o N. A empresa está produzindo aquelas quantidades do Quadro 14.1 e vendendo pelos preços de $ 1.550/u o produto L, $ 2.000/u o M e $ 1.700/u o N.

Esses preços de venda são os fixados pela empresa líder do mercado e a nossa não pretende modificá-los, mas está fazendo um estudo para verificar qual o produto mais lucrativo para tentar incentivar sua venda.

Para isso faz os seguintes cálculos:

Custos Indiretos por Produto: Já que a maior parte é constituída por Mão-de-obra Indireta, decide pela sua distribuição em função das horas de Mão-de-obra Direta (hMOD):

Quadro 14.2

Produto

Horas de MOD
por Unidade

Quantidade
Produzida

Total de Horas
de MOD

L
M
N
20,00 hs/u
25,00 hs/u
20,00 hs/u

2 000 u
2 600 u
2 500 u
40.000 hs
65.000 hs
50.000 hs

 

155.000 hs

 Custos Indiretos Totais    =     $ 3.100.000    = $ 20,00/hMOD.
     Nº Horas de MOD.               155.000 hMOD

A partir desse Custo Indireto por hora de Mão-de-obra Direta, a empresa construiu o seguinte quadro de lucratividade por produto:

Quadro 14.3

Produto

Custo Direto $

Custo Indireto hMOD X $/hMOD

Custo Total
$

Preço de Venda $

Lucro
$

L

700

20 X 20 = 400

1.100

1.550

450

M

1.000

25 X 20 = 500

1.500

2.000

500

N

750

20 X 20 = 400

1.150

1.700

550

Tem-se agora o resultado por unidade de cada tipo de Produto, apresentando-se como prioritário para incentivo de venda o N, como mais lucrativo, ficando o L em último lugar.

Façamos, todavia, outra análise: devido à existência dos Custos Fixos e à forma de apropriação dos Custos indiretos, chegamos a esse resultado; e se utilizássemos outro critério de rateio, teríamos a confirmação do Produto N como o mais rentável?

Suponhamos que essa empresa tenha tido custos por hora de Mão-de-obra Direta diferenciados para cada produto e resolva atribuir, ao invés de por horas, por valor em cruzados de Mão-de-obra Direta. Para isso verifica o quanto foi aplicado, desmembrando o Custo Direto; suponhamos:

Quadro 14.4


Produto

Mão-de-obra Direta
$

Matéria-prima $

Custo Direto Total
$

L

195

505

700

M

300

700

1.000

N

276

474

750

Para a apropriação dos $ 3.100.000 de CIF por cruzados de MOD, terá que fazer:
$ 195 X 2 000 u = $ 390.000
$ 300 X 2 600 u = $ 780.000
$ 276 X 2 500 u =  $ 690.000    
MOD Total           = $ 1.860.000

    CIF     =    $ 3.100.000     = 1,666...
   MOD          $ 1.860.000

Para cada cruzado de MOD, deverá a empresa apropriar $ 1,666... de CIF.
L - 1,6666 X $ 195 =$325
M - 1,6666 X $ 300 = $ 500
N - 1,6666 X $ 276 = $ 460

Este será o novo Quadro de Rentabilidade por produto:

Quadro 14.5


Produto

Custo Direto $

Custo Indireto
$

Custo total
$

Preço de Venda
$

Lucro
$

L

700

325

1.025

1.550

525

M

1.000

500

1.500

2.000

500

N

750

460

1.210

1.700

490

O Produto M continua com o mesmo lucro unitário, mas L e N mudaram. E o mais importante é que se inverteu a ordem! O produto menos rentável tornou-se o melhor, e o que era mais lucrativo tornou-se o menos interessante!

Com tão pequena mudança no critério de apropriação dos Custos Indiretos de Fabricação temos tão dramática alteração. Seria o problema decorrente de estarmos rateando todos os CIF sabendo que pelo menos os variáveis já são conhecidos por produto e não precisariam então desse tipo de rateio? (Vide Quadro 14.1.)

Refazendo todos os cálculos que levaram aos Quadros 14.3 e 14.5 de rentabilidade por produto, mas dessa vez apropriando para cada produto o seu Custo Indireto Variável conhecido, rateando apenas os Fixos ($ 2.455.000), teremos:

Primeiro, rateando à base de valores de MOD, chegamos a (omitidos os cálculos, já que são totalmente análogos aos dos Quadro 14.4 e 14.5):

Quadro 14.6


Produto

Custo Direto
Variável $

Custo Indireto
Variável $

Custo Indireto
Fixo $

Custo
Total $

Preço de
Venda $

Lucro $

L

700

80

257

1.037

1.550

513

M

1.000

100

396

1.496

2.000

504

N

750

90

364

1.204

1.700

496

Voltamos pois à ordem do Quadro 14.5, onde o melhor é o Produto L.

Se fizéssemos à base de horas de MOD, chegaríamos a (cálculos semelhantes aos dos Quadro 14.2 e 14.3):

Quadro 14.7


Produto

Custo Direto
Variável $

Custo Indireto
Variável $

Custo Indireto
Fixo $

Custo
Total $

Preço de
Venda
$

Lucro $

L

700

80

317

1.097

1.550

453

M

1.000

100

396

1.496

2.000

504

N

750

90

317

1.157

1.700

543

De novo a posição dada pelos primeiros cálculos. Afinal, qual o produto mais lucrativo, L ou N? Ou será o M, mais constante em todos os critérios?

14.2 - O Conceito de Margem de Contribuição

O nosso problema acima pode ser resolvido em função do seguinte: toda a dificuldade anterior residiu na apropriação dos Custos Indiretos, mormente os Fixos, já que os Variáveis são alocáveis sem problema. Para a apropriação dos Fixos, existem dois tipos de problema: o fato de serem no total independentes dos produtos e volumes, o que faz com que seu valor por unidade dependa diretamente da quantidade elaborada, e também o critério de rateio, já que, dependendo do que for escolhido, pode ser apropriado um valor diferente para cada unidade de cada produto.

No nosso exemplo podemos verificar que, supondo Matéria-prima e Mão-de-obra Direta totalmente variáveis, podemos identificar como sendo realmente de cada produto a soma dos seus custos Direto mais Indireto Variável; toda a dificuldade está residindo na apropriação dos $ 2.455.000 de CIF Fixos.

O Produto L traz à empresa uma receita de $ 1.550/u, e provoca, obrigatoriamente, um custo de $ 780/u, que é o seu total variável por unidade. Cada unidade sua realmente provoca esse gasto e produz essa receita. Toda e qualquer parcela de Custo Fixo que lhe queiramos imputar não será existente apenas se houver a produção e venda desse produto; existirá independente dele. De que adianta então ficarmos imputando para cada unidade de cada produto uma parcela do Custo Fixo? Essa parcela dependerá da quantidade de produto e da forma de rateio, e não de cada unidade em si.

Chegamos assim ao conceito de Margem de Contribuição por Unidade, que é a diferença entre a Receita e o Custo Variável de cada produto; é o valor que cada unidade efetivamente traz à empresa de sobra entre sua receita e o custo que de fato provocou e lhe pode ser imputado sem erro. Verifiquemos o seguinte:

Quadro 14.8


Produto

Custo Direto
Variável $

Custo Indireto
Variável $

Custo Variável
Total
$

Preço de
Venda
$

Margem de Contribuição
$/u

L

700

80

780

1.550

770

M

1.000

100

1.100

2.000

900

N

750

90

840

1.700

860

Cada unidade de L contribui com $ 770; não podemos dizer que isso seja Lucro, já que faltam os Custos Fixos; trata-se de sua Margem de Contribuição, para que, multiplicada pelas quantidades vendidas e somada à dos demais, perfaça a Margem de Contribuição Total. Desse montante, deduzindo os Custos Fixos, chegamos ao Resultado, que pode ser então o Lucro.

O fundamental é que, verificando o Quadro 14.8, notamos que o produto que mais contribui por unidade para a empresa é o M, seguido pelo N e, finalmente, pelo L. Cada unidade de M provoca de fato uma "sobra" de $ 900, diferença entre receita e custo variável.

Se existe um produto que deva ter sua venda incentivada é o M, que tem a maior Margem de Contribuição por Unidade.

14.3 - Uma Forma Alternativa de Demonstrar o Resultado

Quando a nossa empresa, exemplo deste Capitulo, produz e vende as quantidades mencionadas de cada produto, chega ao resultado do Quadro 14.9 (supondo como custos os dados do Quadro 14.3).

Já sabemos e não é mais necessário fazer outros cálculos para se provar que, caso mudássemos os critérios de rateio, chegaríamos a valores diferentes de Lucro total por produto, devido às variações nos custos de cada um. O Resultado final seria o mesmo, não podendo variar no nosso exemplo, já que as quantidades produzidas foram vendidas.

Quadro 14.9

 

L
(2 000 u) $

M
(2 600 u) $

N
(2 500 u) $

Total $

Vendas .....................................
(-) Custo Prod. Vend...............

3.100.000 (2.200.000)

5.200.000 (3.900.000)

4.250.000 2.875.000

12.550.000 (8.975.000)

Lucro ........................................

900.000

1.300.000

1.375.000

3.575.000

Tendo-se em vista que chegamos agora ao conceito novo, que é o da Margem de Contribuição, onde não está computado o custo fixo antes apropriado para cada unidade, por que não elaborarmos uma Demonstração do Resultado também diferente daquela? Basta que apropriemos para o Resultado de cada produto o seu Custo Variável, deixando os Fixos para serem diminuídos apenas da Margem de Contribuição Total:

Quadro 14.10

 

L

M

N

Total

 

$

$

$

S

Vendas .....................................

3.100.000

5.200.000

4.250.000

12.550.000

(-) Custo Variável dos
Produtos Vendidos..............

(1.560.000)

(2.860.000)

(2.100.000)

( 6.520.000)

(=) Margem de Cont..............

1.540.000

2.340.000

2.150.000

6.030.000

(-) Custos Fixos.......................

 

 

 

(2.455.000)

(=) Resultado .........................

 

3.575.000

Nessa forma não existe "Lucro" por produto, mas sim Margem de Contribuição; os Custos Fixos são deduzidos da soma de todas as Margens de Contribuição, já que de fato não pertencem a este ou àquele produto, e sim ao global.

14.4 - Outra Aplicação da Margem de Contribuição para Fins Decisoriais

Suponhamos que uma empresa trabalhe por encomenda, produzindo com a seguinte estrutura de custo e despesas:

Custos Fixos de Produção ............................................................................................ $ 1.400.000/mês
Custos Variáveis de Produção, exceto Materiais e Mão- de-obra Direta .............. $ 400/hora-máquina
Despesas Fixas de Administração Vendas e Financiamento ................................... $ 1.200.000/mês
Despesas Variáveis de Vendas ...................................................................................... $ 0,20 por $ 1,00 de Venda

Para poder chegar ao preço de venda para cada encomenda, a empresa previu um volume total de trabalho para o mês de 2 500 horas-máquina e fixou como meta o lucro anual de $ 1.000.000; a partir daí, criou a seguinte fórmula para a obtenção do preço:

Quadro 14.11

Custo Fixo de Produção por hora-máquina .......................    $ 1.400.000  = $ 560/hm
                                                                                                            2 500 hm
Custo Variável, exceto Materiais e Mão-de-obra Direta .................................. $ 400/hm
Despesas Fixas por hora-máquina ........................................   $ 1.200.000 = $ 480/hm
                                                                                                              2 500 hm
Custo e Despesa por hora-máquina  ................................................................. $ 1.440/hm
Lucro desejado por hora-máquina .................................................................... $ 400/hm

Valor Total a obter, após dedução das Despesas de Vendas variáveis e
dos Custos de Materiais e Mão-de-obra Direta ............................................... $ 1.840/hm

Estando ociosa a firma numa determinada semana, recebe um cliente que lhe propõe uma encomenda com as características seguintes:

Materiais e Mão-de-obra Direta Previstos ................... $ 96.000
Horas-máquina necessárias........................................... 50

A nossa empresa procede então aos seus cálculos:

Materiais e Mão-de-obra Direta ..................................... $ 96.000
Custos, Despesas e Lucro, exceto Despesas
de Venda Variáveis: 50 hm X $ 1.840/hm ..................   $ 92.000   
                                                                                               $ 188.000

Como esse montante deve corresponder a 80% do preço já que 20% são despesas variáveis de venda, o Preço pedido será:

$ 188.000  = $ 235.000
       80%

Suponhamos, adicionalmente, que o cliente não concorde com esse preço e esteja disposto a pagar apenas $ 200.000 pela encomenda. Deverá a nossa empresa aceitar ou não o trabalho?

Se a indústria olhar com base nos valores obtidos no Quadro 14.11, talvez não aceite, já que poderia estar computando:

Preço ofertado pelo cliente ......................................... $ 200.000
(-) Despesas de Venda variáveis ................................       40.000 
                                                                                           $ 160.000
(-) "Custo, Despesa e Lucro" .......................................    188.000 
"Falta" de ......................................................................... $ 28.000

E essa diferença é superior ao que a empresa obteria de lucro, dentro do esquema do Quadro 14.11, pois nos $ 188.000 estão embutidos 50 hm X $ 400/hm : $ 20.000 de lucro, o que daria um prejuízo "real" de $ 8.000.

Verifiquemos, entretanto, o que aconteceria de fato se a empresa deixasse de aceitar esse trabalho numa semana ociosa: seus Custos e Despesas Fixos continuariam a existir, independentemente da encomenda, e ela poderia, não aceitando, deixar de gastar apenas:

Materiais e Mão-de-obra Direta ..................................................................................... $ 96.000
Custos e Despesas Variáveis (exceto de Vendas): $ 400/hm X 50 hm ..................     20.000   
                                                                                                                                             $ 116.000
Despesas Variáveis de Venda: 20% de $ 200.000 .......................................................      40.000 
Total de custos e Despesas Variáveis .......................................................................... $ 156.000

Deixaria de gastar essa quantia, mas deixaria de receber os $ 200.000. Portanto, estaria perdendo uma Margem de Contribuição de $ 44.000:

$ 200.000    - Receita
(-) 156.000 - Custo e Despesa Variáveis
$ 44.000      - Margem de Contribuição dessa encomenda

Seu resultado anual seria, caso não aceitasse a oferta e o trabalho, reduzido nessa importância, pois, como já foi dito, os custos e despesas fixos continuariam a existir e estariam presentes.

Verificamos assim que mais uma vez os encargos fixos podem provocar problemas nos momentos de decisão, e que a Margem de Contribuição tem a grande virtude de tornar mais clara a situação para tais finalidades.

Vimos também que o conceito de Margem de Contribuição é um pouco mais amplo do que o comentado anteriormente, já que é a diferença entre a Receita e a soma de Custos e Despesas Variáveis, e não apenas entre receita e custos variáveis.

14.5 - Mais um Exemplo do uso da Margem de Contribuição

Suponhamos, num outro exemplo, que uma indústria esteja operando no mercado brasileiro com as seguintes características:

Capacidade de Produção ..................................................................... 800.000 ton/ano
Capacidade que atende o mercado nacional ................................... 500.000 ton/ano

Custos Fixos de Produção ................................................................. $ 35.000.000/ano
Custos Variáveis de Produção ........................................................... $ 110/ton
Despesas Fixas .................................................................................... $ 21.000.000/ano
Despesas Variáveis:
Comissões ......................................................... $ 10/ton
Impostos ...........................................................  $ 15/ton................ $ 25/ton
Preço de Venda ................................................................................... $ 260/ton

Com isso, a empresa está obtendo o seguinte resultado:

Quadro 14.12

Vendas: 500 000 ton X $ 260/ton

 

$130.000.000

(-) Custo dos Produtos Vendidos:

 

 

Fixos:

$ 35.000.000

 

Variáveis: 500.000 ton X $ 110/ton

$ 55.000.000

(90.000.000)

    $ 40.000.000
Lucro Bruto:    
(-) Despesas:    

Fixas:

$ 21.000.000

 

Variáveis: 500 000 ton X $ 25/ton

$ 12.500.000

(33.500.000)

     

Lucro Líquido:

 

$ 6.500.000

Surge agora a oportunidade de uma venda ao exterior de 200 000 ton, mas pelo preço de $ 180/ton. Deve a empresa aceitar, mesmo sabendo que nessa hipótese não teria os impostos de venda?

Poderia nossa indústria proceder de três formas: Primeira, calcular a soma de Custos e Despesas Totais por tonelada atualmente e cotejar com a oferta internacional:

Custo Total =  $ 90.000.000
Desp. Total =  $ 33.500.000   
                          $ 123.500.000 / 500.000 ton = $ 247/ton =    $ 247/ton
(-) Despesas de Impostos                                                               $    15/ton
                                                                                                             $ 232/ton

Esse critério, que levaria à negativa da contratação, contém um primeiro erro, que é o de não considerar que o aumento de 500 000 para 700 000 ton acarretará uma redução do custo fixo por unidade.

Assim, a segunda forma de procedimento poderia ser:

Custo Fixo ................................... $ 35.000.000
Despesa Fixa ...............................     21.000.000 
                                                         $ 56.000.000 / 700.000 ton = $ 80/ton
Custo Variável ..................................................................................... 110/ton
Despesa Variável (exceto Impostos) ............................................       10/ton 
                                                                                                             $ 200/ton

Tal cálculo continua levando à decisão de não-atendimento à demanda externa.

A terceira forma de cálculo seria com o uso do conceito de Margem de Contribuição; calculando-se para o caso, teríamos:

Preço de Venda (Exportação) ............................................. $ 180/ton
(-) Custo Variável ............................................. $ 110/ton
(-) Despesa Variável .............................................  10/ton      120/ton
Margem de Contribuição ...................................................... $ 60/ton

Aceitando a encomenda, a empresa receberá uma Margem de Contribuição adicional de $ 12.000.000 (200 000 ton X $ 60/ton), e seu resultado será acrescentado dessa importância (Quadro 14.13).

Essa prática, aliás, é bastante usada internacionalmente. No mercado do próprio país consegue-se, com uma parte da capacidade de produção, amortizar os custos e despesas fixos, chegando-se inclusive a um resultado positivo. Ao vender para o mercado externo, qualquer preço acima do custo e despesa variáveis provocará acréscimo direto no lucro; qualquer valor de margem de contribuição é lucro, e o preço pode ser bastante inferior ao do mercado nacional onde está a indústria.

Quadro 14.13

Vendas:    

500 000 ton X $ 260/ton

$ 130.000.000

 

200 000 ton X $ 180/ton

      36.000.000

$ 166.000.000

     

(-) Custo dos Produtos Vendidos:

 

 

Fixos

$ 35.000.000

 

Variáveis: 700 000 ton X $ 110/ton

   77.000.000

(112.000.000)

Lucro Bruto

 

54.000.000

     
(-) Despesas:    

Fixas

$ 21.000.000

 

Variáveis:

 

 

700 000 X $ 10/ton

      7.000.000

 

500 000 X $ 15/ton

      7.500.000

(35.500.000)

     

Lucro Líquido

 

$ 18.500.000

Compare com o resultado anterior de $ 6.500.000! [Quadro 14.12].

Tal prática, uma das formas de “dumping” internacional, é realmente utilizada em larga escala, porque, dentro de um próprio país, seria praticamente impossível trabalhar-se com dois preços de venda tão diferentes para o mesmo produto.

 

Custeio Variável (Custeio Direto)

Devido aos problemas vistos com relação à dificuldade trazida pela apropriação dos custos Fixos aos produtos e em função da grande utilidade do conhecimento do Custo Variável e da Margem de Contribuição, nasceu uma forma alternativa para custeamento.

16.1 - Custeio Variável (ou Custeio Direto)
Até o final da Seção anterior, quando havíamos falado em Custos para avaliação de estoques, tínhamos estudado o que se denomina Custeio por Absorção. Resume-se este no critério fartamente analisado por nós em que se apropriam todos os custos de produção, quer fixos, quer variáveis, quer diretos ou indiretos, e tão-somente os custos de produção, aos produtos elaborados.

Como vimos, não há, normalmente grande utilidade para fins gerenciais no uso de um valor onde existam custos fixos apropriados. Três grandes problemas concorrem para isso:

Primeiro: Pela sua própria natureza, os custos fixos existem independentemente da fabricação ou não desta ou daquela unidade, e acabam presentes no mesmo montante, mesmo que oscilações (dentro de certos limites) ocorram no volume de produção; tendem os custos fixos a ser muito mais um encargo para que a empresa possa ter condições de produção do que sacrifício para a fabricação específica desta ou daquela unidade; são necessários muito mais para que a indústria possa operar, ter instalada sua capacidade de produção, do que para fabricar uma unidade a mais de um determinado produto.

Segundo: Por não dizerem respeito a este ou àquele produto ou a esta ou àquela unidade, são quase sempre distribuídos à base de critérios de rateio, que contêm, em maior ou menor grau, arbitrariedade; quase sempre grandes graus de arbitrariedade. A maior parte das apropriações é feita em função de fatores de influência que, na verdade, não vinculam efetivamente cada custo a cada produto, porque essa vinculação é muito mais forçada do que costumamos acreditar. Se, a fim de avaliar um produto para efeito de estoque, isso pode ser uma forma de minimizar injustiças, para efeito de decisão simplesmente mais confunde do que auxilia; o fato de se apropriar de uma forma pode alocar mais custo em um produto do que em outro, e, se alterarmos o critério de rateio, talvez façamos o inverso. Por se alterar um procedimento de distribuição de custos fixos, pode-se fazer de um produto rentável um não-rentável (aparentemente), ou transformar um superavitário em deficitário, e vice-versa. E não há lógica em se alterar o grau de rentabilidade de um produto em função de modificações nas formas de rateio; essa é uma maneira de se auto-enganar.

Terceiro: O valor do custo fixo por unidade depende ainda do volume de produção: aumentando-se o volume, tem-se um menor custo fixo por unidade, e vice-versa. Se se for decidir com base em custo, é necessário associar-se sempre ao custo global o volume que se tomou como base. Se a empresa estiver reduzindo um item por ser pouco lucrativo, pior ainda ficará sua posição, devido à diminuição do volume; ou, se um produto estiver com baixo lucro, o aumento de preço com base no seu alto custo poderá provocar uma diminuição da sua procura, e, consequentemente, reduzir seu volume, e assim aumentar ainda mais o custo de produção, num círculo vicioso. Pior do que tudo isso, o custo de um produto pode variar em função da alteração de volume de outro produto, e não da sua própria; ao se aumentar a quantidade dos outros bens elaborados, o montante a ser carregado para um determinado produto será diminuído, já que os custos fixos globais serão agora carreados mais para aquele item, cuja quantidade cresceu. O custo de um produto pode, então, variar em função não do seu volume, mas da quantidade dos outros bens fabricados.

Por tudo isso, e mais ainda pelo visto nos dois Capítulos precedentes, chegou-se ao ponto de indagar se todas essas desvantagens e riscos existem em função da apropriação dos Custos Fixos aos produtos e se são eles muito mais derivados da necessidade de se colocar em condições de operar uma fábrica, muito pouco estando de fato vinculados a este ou àquele produto ou unidade, e, além disso, se são na maioria, senão na totalidade, repetitivos a cada período, por que não se deixar de apropriá-los aos produtos, tratando-os como despesas (encargos de período)?

Nasceu assim o Custeio Variável (Custeio significa forma de apropriação de Custos). É muito mais conhecido por Custeio Direto, mas preferimos aquela forma, porque esse método significa apropriação de todos os Custos Variáveis, quer diretos quer indiretos, e tão-somente dos variáveis. (Custeio Direto pode dar a impressão de que só se apropriariam os custos diretos, mas isso não é verdade; aliás, fica agora clara a distinção entre Custo Direto e Custeio Direto).

Com base, portanto, no Custeio Direto ou Custeio Variável, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo diretamente para o Resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis.

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